terça-feira, 10 de novembro de 2015

RUPTURA DA NATIMORTA FRENTE COMUNISTA DOS TRABALHADORES - FCT


O CONGRESSO DE UNIFICAÇÃO QUE PARIU UM BANDO DISPERSO DE ANTILENINISTAS

Em meados de setembro a Liga Comunista e outros integrantes da chamada Frente Comunista dos Trabalhadores – FCT apresentaram como um feito exitoso a realização do seu primeiro congresso, divulgando um balanço em que afirmavam: “A Frente Comunista dos Trabalhadores deliberou no seu primeiro Congresso por se tornar uma nova organização centralizada, do tipo bolchevique-leninista.” (Balanço e Resoluções do I Congresso da FCT - Blog da Liga Comunista - domingo, 13 de setembro de 2015).
O suposto congresso foi realizado em São Paulo no primeiro fim de semana de setembro de 2015. Das cinco pretensas organizações que formavam o chamado Comitê Paritário de Ligação pela Quarta Internacional (Liga Comunista, Coletivo Lênin, Espaço Marxista, Tendência Revolucionária e Coletivo Socialistas Livres), reuniram-se apenas um representante da Liga Comunista, outro do Espaço Marxista e um dissidente do Coletivo Lênin. Dessa forma, com apenas três gatos pingados, foi anunciada a criação da FCT.
Poucas semanas depois, essa “nova organização centralizada, do tipo bolchevique-leninista” mostrou que na verdade não passava de um amálgama cujos únicos pontos de convergência são o seguidismo à frente popular e o antileninismo mais reacionário. Resistentes e mesmo aversos até a mais tênue ideia de uma organização revolucionária forjada sob o princípio leninista do centralismo democrático, esses farsantes não conseguiram manter seu teatrinho por muito tempo e a FCT implodiu antes de dar algum sinal de vida.
No dia 10 de outubro, um dos principais integrantes da FCT, o blog Coletivo Lênin, publicou a seguinte declaração:

“Surge a Frente Resistência!
A Frente Resistência é uma iniciativa construída coletivamente para atuar nos marcos da emancipação da classe trabalhadora e dos povos oprimidos, do antiimperialismo e do antifascismo.
Não é uma organização nem pretende se constituir em uma. Envolve agrupamentos e militantes individuais de diversas tradições da esquerda, que, mantendo seus próprios programas e visões de mundo, estão dispostos a um trabalho em comum nos marcos apontados.
O Coletivo Lênin se soma à Frente Resistência, junto com os companheiros da Tendência Revolucionária, do Coletivo Socialistas Livres, do blog Espaço Marxista e do Movimento por uma Tendência Marxista-Leninista!”

Nesse mesmo dia, o blog Socialistas Livres, outro que integrou o “Comitê Paritário” que pariu a natimorta FCT, também publicou o mesmo texto com o título “Socialistas Livres se somam à construção da FRENTE RESISTÊNCIA”. Trata-se de um ex-militante do PSTU, expulso daquele partido porque sua deformação política e ideológica já não cabia mais até mesmo dentro de uma organização morenista degenerada como o PSTU.
No dia seguinte, mais um suposto integrante da FCT, o editor do blog Tendência Revolucionária, que na verdade se reivindica como corrente interna do PSOL, também anunciou sua adesão à Frente Resistência sem fazer qualquer comentário sobre a existência da FCT.
Ainda no dia 11/10, outro blogueiro, um militante que já havia rompido com a Liga Comunista em maio de 2015 para inventar um movimento pró-formação de uma Tendência Marxista-Leninista do PT, confirmou sua adesão à Frente Resistência.
Dos membros da FCT somente o Espaço Marxista deu “uma explicação” para sua a ruptura:

“Desde que nasceu em fevereiro de 2015, o blog "Espaço Marxista" ligou-se ao chamado "comitê paritário", que envolvia grupos e militantes diversos, em pé de igualdade - daí o nome - para uma militância em comum, principalmente diante do inflamado cenário golpista que se seguiu à vitória de Dilma Rousseff no 2º turno das eleições presidenciais de 2014. Posteriormente, tal comitê adotou o nome de Frente Comunista dos Trabalhadores (FCT), em um processo que culminou com a realização de seu primeiro congresso, em 06/ 09/ 15, com a transformação da FCT em organização nos moldes leninistas, com voto favorável do "Espaço Marxista", que foi delegado congressual.
Todavia, em pouco tempo ficou claro para nós que a nova organização nascia com vícios burocráticos, com um de seus grupos fundadores tentando centralizar o conjunto da militância com base em suas próprias resoluções, que em momento algum foram discutidas nos marcos da nova organização; não bastasse, era usado o método stalinista clássico das ofensas e de tentativas de "ganhar no grito", inclusive com pressão "extraoficial" junto aos militantes para que se alinhassem conforme a posição do dirigente de tal grupo.” (http://espacomarxista.blogspot.com.br/p/sobre-frente-resistencia.html)

Embora não cite nomes, é evidente que o blogueiro J.L. Tejo do “Espaço Marxista” lança a acusação de utilizar “métodos stalinistas” para “centralizar o conjunto da militância” contra Humberto Rodrigues, da chamada Liga Comunista, que é o principal responsável pela articulação da natimorta FCT.
Em seu texto de ruptura com a FCT, Tejo também afirma que “A Frente Resistência vem resgatar o espírito da FCT original. Uma ampla frente de organizações e militantes individuais -muitos ex-participantes da antiga FCT-, oriundos de diversas tradições do campo da esquerda, unidos em torno de três eixos: a EMANCIPAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA E DOS POVOS OPRIMIDOS, o ANTIIMPERIALISMO e o ANTIFASCISMO. Como se vê, não há lugar aqui para discussões bizantinas e dogmáticas, bem ao gosto das pequenas seitas da esquerda pequeno-burguesa, que servem apenas para confusão e desperdício de energia”.
Estranhamente, das pretensas organizações presentes no suposto congresso da FCT, além do dissidente do Coletivo Lênin, denominado “Fração Operária”, somente o Espaço Marxista de Tejo se emblocou com a LC de Humberto Rodrigues na defesa do “bizantino e dogmático” centralismo democrático. Mas, se J. Tejo é contra o princípio leninista do centralismo democrático, por que se alinhou com a LC de Humberto Rodrigues no congresso da FCT, ou melhor dizendo, que pressão “extraoficial”, chantagem ou corrupção material levou Tejo a rastejar diante  de Humberto Rodrigues? Mais sério ainda: se Tejo se rendeu à pressão “extraoficial” de algo tão insignificante quanto a LC, o que não seria capaz de fazer diante das forças de repressão e do poder de corrupção do Estado burguês? 
Já na apresentação do blog Espaço Marxista, embora diga reivindicar “a tradição bolchevique-leninista (trotskysta)”, J. Tejo deixa às claras suas tendências revisionistas ao afirmar que ”nos reservamos o direito de discordar e de marcar posição, quando for o caso, mesmo diante dos marxistas clássicos (Marx inclusive)”. Ainda pior, revela um profundo desvio ideológico para o campo reacionário do idealismo filosófico e da religião, quando afirma que “os grandes temas teológicos - existência ou não de Deus, vida após a morte etc.- fogem ao escopo do marxismo”.
Certamente esse pseudo bolchevique-leninista ficaria escandalizado se algum dia tivesse lido o que Lênin escreveu sobre esses grandes temas teológicos: “Os seres fora do tempo e do espaço, inventados pelos padres e mantidos pela imaginação da massa ignorante e oprimida da humanidade, são uma fantasia doentia, artifícios do idealismo filosófico, produtos imprestáveis de um regime social imprestável.”   (V. Lênin - Materialismo e Empiriocriticismo). 
Ainda em sua apresentação o Espaço Marxista diz que “não pretende ser, ele próprio, uma organização”, o que é perfeitamente justificável. Afinal, para que serve uma organização revolucionária quando já se abriu mão da defesa da concepção de mundo do materialismo dialético?
O fracasso da FCT é o resultado inevitável da tentativa de Humberto Rodrigues de substituir a necessária luta política e ideológica contra todas as vertentes da esquerda revisionista pela realização de acordos podres e eventos midiáticos em parceria com os elementos mais degenerados e antileninistas confessos.
Em janeiro deste ano, já tínhamos previsto que fim teria esse engodo que se chamou Frente Comunista dos Trabalhadores – FCT. Em resposta ao artigo “Notas Sobre uma Direção Revolucionária”, publicado no blog do Coletivo Lênin, em que o autor revela seu total desprezo pela necessidade de uma direção revolucionária do proletariado, professa seu culto ao espontaneísmo das massas e ataca abertamente a concepção leninista de partido, texto esse que foi publicado sob o silêncio conivente de todos os integrantes do chamado Comitê Paritário de Ligação pela Quarta Internacional, o blog da Oposição Sindiágua-CE se posicionou da seguinte forma:
Quem omite essas verdades históricas e esquiva-se do combate às concepções antipartidárias e contrarrevolucionárias, ocultando-as como o nome de “linha conselhista”, comete um verdadeiro crime contra o marxismo e a revolução proletária. Lamento, senhores do Comitê de Ligação pela Quarta Internacional, mas, seguindo esses conselhos, tudo o que vocês conseguirão é apressar sua degeneração política e ideológica.” (NOTA DE REPÚDIO À UNIDADE DE AÇÃO CONTRA O MARXISMO http://oposicaosindiaguace.blogspot.com.br/2015/01/nota-de-repudio-unidade-de-acao-contra.html)
O fim desse ajuntamento antileninista era, desde o início, perfeitamente previsível e não podia ser outro senão a completa renegação ao leninismo. Esse foi o caminho que, infelizmente, Humberto Rodrigues e sua  Liga Comunista seguiram. Seu silêncio sepulcral frente às deserções da FCT revela não só a sua incapacidade de se delimitar política e ideologicamente com seus ex-parceiros, mas, também, que essa incapacidade reflete a sua própria adaptação à democracia burguesa, como se vê a seguir:
“O Centralismo Democrático deve ser mais democrático e menos centralizado quanto mais democrático for o regime político do país onde ele se desenvolve. O regime partidário está condicionado então ao grau de liberdades públicas existentes, e da relação de forças entre os trabalhadores, a burguesia e seu Estado.” (Centralismo democrático, greves e militância trotskista – Blog da Liga Comunista, 2 de outubro de 2015).
Esse degenerado ainda tem a ousadia de se chamar militante trotskista. Somente alguém que já renunciou à luta pela construção de uma organização revolucionária bolchevique-leninista e que, como todos os canalhas da esquerda revisionista, já se vendeu para a burguesia, pode afirmar sem constrangimento  tamanha idiotice.
Quer dizer, então, que o regime de organização do partido cujo objetivo estratégico é a destruição do Estado burguês é determinado pelo grau de democracia do próprio Estado burguês? Como alguém pode querer ocultar sua profunda corrupção política e material com um raciocínio tão medíocre? Se Lênin pensasse como o oportunista que escreveu essas asneiras, jamais teria formulado o seu princípio de  organização revolucionária, pois a autocracia czarista não tinha nenhum traço de uma república democrática burguesa, logo não teria porque falar em Centralismo Democrático como princípio de organização dos bolcheviques. Na verdade, o centralismo democrático é um atributo indispensável de qualquer organização revolucionária do proletariado que pretenda atuar nos diversos momentos da luta de classes como um exército unificado,  tendo em vista o seu objetivo estratégico que é a tomada do poder, a destruição do Estado burguês e a construção do socialismo. O centralismo democrático do partido revolucionário do proletariado não pode adaptar-se ao grau de democracia do Estado burguês simplesmente porque, por mais democrático que este seja, será sempre um instrumento de opressão e repressão da burguesia contra os trabalhadores. O “centralismo” se sobrepõe ao “democrático” simplesmente porque o adjetivo atribui qualidades ao substantivo mas não lhe altera a essência. Portanto, toda essa palhaçada de centralismo “mais democrático e menos centralizado” é uma tentativa ridícula da Liga Comunista de se reconciliar com seus ex-parceiros antileninistas.
Mas não fomos os únicos a prever o triste destino da natimorta FCT. Em maio deste ano, em seu texto de ruptura com a Liga Comunista, o militante que utiliza o codinome Erwin Wolf, afirmava:
“O período pós-eleitoral coincide com a formação do que é hoje a Frente Comunista dos Trabalhadores, com alguns grupos (somente uma observação: aqui está havendo a inversão do método de Lenin em “Que fazer?”, ou seja, ao invés de discutir primeiro para se unir, estão se unindo sem aprofundar as divergências que são muitas, por exemplo, há grupo que considera Rússia e a China imperialista, outros que não; tem grupo contra o centralismo democrático; grupo que defende trabalho com policiais, apoiando “greve”, motim de policiais, e por aí vai. A tendência disso é implodir de uma ora para outra...” (Contra o Sectarismo – 11 de maio de 2015, http://tmarxistaleninista.blogspot.com.br/2015/05/contra-o-sectarismo.html)
Nesse mesmo documento, o dissidente da Liga Comunista apontou as ilusões do seu “Mestre” com a democracia burguesa, afirmando que “a partir das eleições os candidatos da LC, que saíram pela legenda do PCO, foram algumas vezes atacados e pressionados pela liderança, porque havia a paranóia absurda de que fossem eleitos e debandassem (obs: não fui candidato). Realmente um coisa sem noção (adoro os jovens, que criatividade !), quando sabemos que, no circo eleitoral, para eleger um mísero vereador há necessidade de rios de dinheiro...”.
Em seu texto, Erwin Wolf também expôs o que diz ser a principal causa, a “gota d'água”, da sua ruptura com a Liga Comunista, onde se revela a tendência da liderança da LC de abdicar da defesa dos princípios para fechar acordos:
“A gota d´água, onde o bicho pegou, foi a liderança da Liga Comunista, com certeza, influenciada por ex-militante do PSTU, como que enxergando, vislumbrando um espécie de “Soviete de Cantão caipira”, desenvolver no último período uma versão requentada, caricata, e bizarra da “Teoria das Novas Vanguardas”. Quando na Reunião Nacional da FCT foi colocado isso, estava com a cabeça abaixada, e imediatamente a levantei e encarei tal liderança com muita surpresa. Esta foi a única divergência que manifestei para o meu desligamento por ter sido a gota d'água e entender sem sentido uma luta fracional. Pois bem, incapazes de fazer um trabalho marxista revolucionário sistemático no seio do movimento operário e popular, tendências pequeno-burguesas desenvolveram e desenvolvem “teorias” revisando o marxismo, enxergando “novas vanguardas” em substituição à classe revolucionária... Esta análise de cunho eminentemente morenista só pode ser fruto de militante egresso dos quadros do PSTU.”
Aqui o dissidente da LC, ataca o seu “Mestre” Humberto Rodrigues, por suas concessões ao “socialista livre” Gilber Martins, recém-ingresso na FCT por intermédio do editor do blog Espaço Marxista que, em sua  carta de apresentação do “socialista livre” ao “Comitê Paritário” pela Quarta Internacional, afirma que “a principal diferença entre o CP e o CSL, reside na questão do Centralismo, o qual o CSL se opõe”. (Socialistas Livres ingressam no Comitê Paritário, quinta-feira, 26 de março de 2015 – http://espacomarxista.blogspot.com.br/2015/03/socialistas-livres-ingressam-no-comite.html).
Mas quando o submisso Erwin Wolf, após criticar as ilusões da LC com o circo eleitoral burguês e sua adaptação à “Teoria das Novas Vanguardas”, diz “entender sem sentido uma luta fracional”, esquiva-se do combate ao revisionismo e deixa transparecer que existe por trás de suas críticas outra causa para a sua ruptura. Ele, evidentemente, sabia que a FCT acabaria implodindo, mas sua mulher certamente não e, ao ouvir falar de Centralismo Democrático, deve ter achado que aquela brincadeira talvez estivesse ficando levemente incômoda e ordenou que seu marido fosse brincar de outra coisa, algo mais insignificante e utópico como, por exemplo, criar uma “tendência marxista-leninista” no PT. Somente isso pode justificar o fato de hoje, o obediente Erwin Wolf compor a chamada Frente Resistência juntamente com o “socialista livre” Gilber, o mesmo que teria influenciado tão negativamente seu antigo “Mestre” da Liga Comunista com a teoria das novas vanguardas, que, segundo afirma, foi a “gota d’água” da sua ruptura com a LC.
Tem inteira razão o editor do blog Espaço Marxista quando diz que “a Frente Resistência vem resgatar o espírito da FCT original”, ou seja, a FCT não era nem podia se constituir sequer como uma organização. Os únicos pontos de coesão de seus membros eram e continuam sendo a completa aversão à concepção leninista de partido e o gosto por parasitarem na cauda da Frente Popular. Por isso estiveram juntos apoiando a reeleição de Dilma Rousseff e seguem, ainda que dispersos, reproduzindo como papagaios a chantagem da esquerda chapa branca sobre o golpe de direita, cujo objetivo é evitar uma resposta do movimento operário aos ataques do governo do PT contra os direitos e conquistas da classe trabalhadora.
Não poderia ter outro fim uma pretensa organização de tipo “bolchevique-leninista” formada por um embuste que se autodenomina Coletivo Lênin, um ex-militante expulso do PSTU, um que se reivindica militante do PSOL e outro recém-saído do PCB, que somente por força de corrupção e chantagens se alinhava às posições da Liga Comunista que, por sua vez, é encabeçada por um degenerado disposto a servir a quem lhe pague melhor.

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